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  • Caroline Arcari

Deixem os brinquedos serem brinquedos

Uma campanha  está incentivando desconstruir os estereótipos criados sobre o que seriam brinquedos de meninos e brinquedos de meninas. Esses estereótipos de gênero estão cansados ​​e desatualizados.


Ao  estabelecer o que é de menino e menina, adultos e o próprio comércio limitam as vivências das crianças, além de reservar espaços muito definidos para ambos: meninos brincam com objetos que os incentivam a se apropriarem do mundo, mas não de sua sensibilidade. Meninas brincam com objetos que as limitam apenas ao espaço doméstico e de maternagem.


Essa campanha britânica chamada LET TOYS BE TOYS (DEIXE BRINQUEDOS SEREM BRINQUEDOS) propõe que educadores, pais, mães, familiares entendam que as crianças devem decidir por si mesmas o que acham que é divertido. De fato, as crianças precisam de uma ampla gama de jogo para desenvolverem habilidades diferentes. O jogo e as brincadeiras são fundamentais para a forma como as crianças apreendem o mundo. Os estudos de psicologia e pedagogia mostram que as crianças precisam de acesso a uma variedade de brinquedos e experiências de jogo. Brinquedos focados em ação, construção e tecnologia ajudam a aprimorar habilidades espaciais, promover a resolução de problemas e incentivar as crianças a serem ativas. Brinquedos focados no jogo de papéis e teatro em pequena escala permitem-lhes praticar habilidades sociais. Artes promovem a construção de habilidades motoras finas e perseverança. Assim, meninos e meninas precisam ter a oportunidade do desenvolvimento integral, em todas as áreas.


Infelizmente o que acontece é que brinquedos de construção e tecnologia de ação são predominantemente comercializados para meninos enquanto jogos de papel social e doméstico e brinquedos artesanais são predominantemente comercializados para meninas. As cores também delimitam esses universos. Os brinquedos das meninas costumam se restringir às colorações rosas e lilases. Já os meninos, contam com uma variedade incrível de cores, exceto o rosa. Nessa equação, ambos saem perdendo. 


As crianças não saem do útero com expectativas sobre suas futuras carreiras e ocupações, mas os estereótipos que vemos no marketing de brinquedos se conectam às desigualdades que vemos na vida adulta. Até o final da primeira infância, a pesquisa realizada pela organização galesa Chwarae Teg, mostra que as crianças já têm idéias muito claras sobre os empregos que são adequados para meninos e meninas: temas de glamour e beleza em brinquedos dirigidos até mesmo as meninas mais jovens dão preocupante ênfase na aparência externa. Atitudes estereotipadas sobre meninos são igualmente prejudiciais. A constante suposição reforçada na publicidade e embalagens de brinquedos de que os meninos são inevitavelmente ásperos, sujos, barulhentos, interessados ​​apenas na ação e na violência, diz aos rapazes mais calmos, mais sensíveis ou mais criativos que algo está errado no comportamento deles. No futuro, o resultado disso se reflete em salários desiguais, relacionamentos abusivos, objetificação do corpo da mulher, sobrecarga do trabalho doméstico para a mulher, ausência do pai na criação dos filhos.


Assim, o foco da campanha é incentivar que as lojas não dividam suas prateleiras por gênero, que as fábricas repensem a maneira como organizam e produzem seus produtos, bem como conscientizar as famílias e profissionais dos espaços educativos a proporcionarem a liberdade na escolha do brinquedos, a oferta de objetos e jogos variados e de ricas possibilidades em experiências e vivências tanto para meninas quanto para meninos.


É importante lembrar que um menino que brinca de boneca experimenta uma paternidade sensível e responsável. A menina que brinca com legos e ferramentas, experimenta a criação a partir da inteligência espacial e a lógica. Deixem brinquedos serem brinquedos.


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